Silenciamento Família PASSO 02

Será que eu errei na criação dele?

Resumo

A culpa tem ocupado espaço no seu coração? E se for possível olhar pra sua história com mais verdade — e perceber o que, de fato, está nas suas mãos?

"Eu morria de medo que meus irmãos soubessem que ela estava com aquela mulher.”

Roberto, pai da Juliana

Às vezes, silenciar parece a escolha mais segura

Há muitos pais e mães que acabam se calando para não serem julgados por outras pessoas da família. É um momento muito frágil para lidar com os olhares e comentários de quem, em alguns casos, está pronto pra criticar e não faz ideia de como acolher a dor do seu lar.

Talvez esta seja uma sabedoria que seu silêncio está guardando. Por outro lado, não é nada fácil perceber o quanto, sem querer, a gente acaba dando espaço para que os outros nos julguem — especialmente quando estamos mais sensíveis.

Ao mesmo tempo, lembre-se: você tem autoridade no Espírito Santo pra calar qualquer voz que aumente o sofrimento dentro da sua casa.

Sabemos que quem acusa nossas almas não é amigo. O julgamento dos outros, e a culpa que este julgamento produz, não são da vontade de Deus. Sua essência é o amor, a misericórdia e o perdão, e não a condenação implacável.

O silêncio também esconde o que dói

Deus te convida a se desviar de uma mentalidade de acusação e a adotar uma postura de graça e acolhimento. Isso vale para a relação com os outros, mas principalmente com você mesmo e com seu filho.

Ele deseja que você cuide de você. Deus te espera com calma, no mais profundo do seu coração, de forma intensa e significativa. Ele acolhe este momento de vulnerabilidade integralmente.

Palavra de fé

"Perto está o Senhor dos que têm o coração ferido."

Salmos 34:18

Quando você não encontra formas de falar sobre o que está acontecendo, corre o risco de parecer uma fortaleza, que não deixa passar qualquer sinal de dor ou necessidade de apoio.

A falta de cuidado consigo mesmo se instala não porque você não se importa com a sua família ou com toda a situação, mas porque o peso do silêncio e da tristeza tirar sua energia — e até a capacidade de perceber o que você mesmo precisa.

Diga a si: não foi um erro seu

Ausência, superproteção, brinquedos ou brincadeiras na infância, muito ou pouco carinho, ou qualquer outra dinâmica familiar não mudam a sexualidade ou o gênero de alguém.

A ideia de que a orientação sexual de uma pessoa seja resultado da educação que recebe não encontra respaldo. Nutrir isso é acrescentar um fardo pesado de culpa, que não se sustenta em nenhum estudo sério sobre o tema.

A orientação sexual não é algo que você determina ou controla. É uma dimensão profunda de quem a pessoa é, presente desde cedo e que se revela ao longo da vida.

O seu papel como pai ou mãe está naquilo que se adquire. No que você pode transmitir de princípios, valores, lembranças, qualidades, afeto e visão de mundo.

Quando ele parece tão diferente de nós

A personalidade dele foi se construindo e vai se transformando a partir da riqueza da experiência humana — em uma combinação entre o que ele trouxe consigo e aquilo que recebeu ao longo do caminho.

Certamente seu filho tem muito de você, assim como de outras tantas vivências, amigos, igreja, família, lugares e relações.

A sexualidade do seu filho é uma expressão autêntica de quem ele é. Algo que se revela com o tempo, de maneira tão única quanto a personalidade, o temperamento, os interesses ou os dons que possuímos.

  1. Continue sua jornada

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