Silenciamento Família PASSO 05

E se eu falar, o que pode acontecer?

Resumo

E se o silêncio já não estiver protegendo, mas afastando vocês? O que pode nascer quando você abre espaço pro diálogo na sua família?

"Eu pensava que se não era pra ser homem direito, então que não fosse mais parte da minha família.”

Evandro, pai do Gustavo

Quando o silêncio começa a se abrir

Chegamos à última parte deste texto com um convite pra você. Que tal, no seu tempo, descobrir um jeito possível de transformar o silêncio em uma conversa franca e amorosa com alguém da sua família?

Seu marido, sua esposa, um irmão, alguém próximo que possa te escutar e caminhar com você nesse momento.

Pode dar medo do que essa pessoa vai pensar. De ser acusado ou incompreendido. De que tudo o que vocês construíram desmorone, como areia movediça no deserto do silêncio.

Mas você nunca saberá ao certo a reação de ninguém. Talvez te digam que você não está sozinho, que enxergam a sua dor e que estão dispostos a atravessar este deserto com você, em família.

Colha os frutos da sua coragem

Talvez valha se perguntar: o que está em jogo nesse silêncio? O vínculo com seu filho — uma das pessoas mais importantes da sua vida.

Por isso, talvez não haja nada mais precioso neste momento do que o que está acontecendo entre vocês. Falar sobre esse tema — tão desafiador — com alguém da sua família pode abrir novos entendimentos: sobre você, sobre seu filho, sobre o que vocês estão vivendo.

Lembre-se de que foi para a liberdade que Cristo nos libertou. O diálogo pode ser um caminho de libertar a relação de vocês dos embates e desentendimentos.

Quebrando o silêncio com seu filho

É importante reconhecer também a sua caminhada até aqui. As conversas que o seu silêncio permitiu que você tivesse – com Deus e consigo mesmo. Quando achar que pode compartilhar isso com seu filho de uma maneira verdadeira pra você, não tema.

Você sente que já compreende melhor seus sentimentos e conhece um pouco mais sobre sexualidade e gênero? Seria o momento de tomar a iniciativa de se abrir pro seu filho? De quebrar o silêncio por amor? Se este ainda não for o seu caso, tudo bem.

Talvez você já tenha mais curiosidade de entender seu filho ou um pouco mais sobre o que ele está passando? Se sim, sinalize que está disponível para conversar quando ele se sentir pronto. Está tudo bem falar sobre as dúvidas com respeito e honestidade.

Deus te dá a oportunidade de se reaproximar do seu filho depois desse tempo de silêncio. Há um perdão possível. Há um caminho de novos afetos. Há laços a serem reconstruídos.

A ajuda de Deus nessa conversa

Palavra de fé

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.”

1 João 1:9

Com o Espírito Santo guiando seu coração, olhe pra sua filha e pergunte o que está acontecendo. Como você pode conhecer quem ela é de verdade? Como ela deseja que você lide com a situação? Falar sobre o que sente, com cuidado e afeto, pode ser transformador.

Talvez você descubra que sua filha pediu a Deus que mudasse isso nela. Mas a mudança não veio porque a sexualidade não é algo que se escolhe ou se muda — não depende da fé ou da obediência.

Deixe as imposições da sociedade de lado e se entregue ao afeto. Sua filha pode estar precisando ou querendo ter você quando precisar. Mais do que temer o julgamento, talvez valha cuidar do vínculo entre vocês.

Se você agir de consciência tranquila, com amor no coração, não há nada capaz de te atingir.

Do silêncio ao encontro

Há um universo diante de você. E talvez ele comece bem perto: em olhar pra si como mãe ou pai (ou avó, tia) de uma pessoa única, amada por Deus, com uma história própria.

Repare no amor que seu filho ainda dedica a você. E, no seu tempo, divida um pedacinho do que você sente. Investigue o seu coração. Um primeiro passo já pode ser só dizer: “Eu quero estar perto.”

Não duvide da sua bondade quando escolher acolher seu filho. Duvide das crenças muito rígidas que criam desunião e se opõem ao amor que Deus nos ensinou.

Ao abrir espaço pro diálogo, você abre uma fresta no deserto onde sua família pode respirar e beber da água fresca de um oásis de união. E, assim, permite que seu filho encontre apoio dentro de casa — com mais verdade, mais cuidado e menos medo.

O silêncio se rende à palavra, o vazio encontra o abraço — e a travessia descansa no afeto.