Raiva Família PASSO 02

Meu filho não é mais quem eu conhecia

Resumo

Quando seu filho parece distante ou diferente, pode surgir a sensação de perda. Talvez cuidar também signifique abrir espaço para que ele seja quem Deus o criou para ser.

“Eu achava que estava protegendo meu filho quando na verdade estava sufocando ele. Aprendi a confiar que Deus cuida dele melhor do que eu.”

Ana Paula, mãe de Gabriel

Quando o amor se confunde com controle

Às vezes, sem perceber, podemos acreditar que temos controle total sobre a vida dos nossos filhos. E até entender esse controle como parte do nosso papel diante de Deus — mesmo quando ele se expressa em dureza ou agressividade.

Isso não surge do nada. A ideia de que “filhos são propriedade dos pais” ainda aparece em muitas histórias. É possível que, em algum momento, você tenha aprendido que controlar é a melhor forma de cuidar. E, assim, tenha acreditado que poderia moldar seu filho às suas expectativas e sonhos.

Esse impulso nasce, muitas vezes, do amor, do cuidado e da proteção que sentimos como pais.

O controle realmente protege ou pode acabar afastando? É possível proteger seu filho de tudo o que você considera nocivo?

O seu lugar como mãe ou pai

Nós não somos donos de uma pessoa, mesmo quando se trata de filhos que, na nossa tradição, aprendem a nos obedecer.

Nossa responsabilidade é educá-los equilibrando amor, respeito e a liberdade necessária para que desenvolvam sua própria fé e autonomia.

A criação de filhos pode ser um caminho de desenvolvimento espiritual, no qual os pais ajudam seus filhos a construir uma base sólida de fé, mas também os incentivam a pensar por si mesmos e a tomar suas próprias decisões.

O controle excessivo pode gerar rebeldia e ressentimento. Já a comunicação e a confiança fortalecem o vínculo.

Quando o amor sufoca

Sabemos de filhos e filhas que adoecem profundamente por sentirem que causaram sofrimento aos pais.

Muitos chegam a pedir a Deus que tire deles essa “condição”. Mas esse pedido não encontra resposta. Não porque lhes falte fé, mas porque talvez não haja algo a ser mudado ali como se imagina — por ser parte de quem são e do modo como a vida lhes foi dada por Deus.

Quando isso acontece, o sofrimento se aprofunda. A vida começa a perder o rumo: começam a ir mal na escola, fazem escolhas que os colocam em risco, recorrem a substâncias, desenvolvem comportamentos autodestrutivos.

Alguns chegam a atentar contra a própria vida.

Não deixe que a sua raiva leve seu filho para longe de você. O amor de Deus te convida a respirar, permanecer — e tentar compreender.

Palavra de fé

"O amor perfeito expulsa o medo."

1 João 4:18