Medo Eu PASSO 02

Tenho medo do mundo machucar ele

Resumo

Quando o medo aperta, surge a vontade de pedir que ele se esconda. Isso protege ou fere? Como cuidar sem apagar quem seu filho é?

“Eu vivia vigiando cada passo dele, crente que estava protegendo. Demorei para entender que, para o meu filho, aquele meu controle todo doía."

João, pai de Miguel

Por que ele não pode ser mais discreto?

Talvez o medo já tenha te feito perguntar por que seu filho se comporta assim, ou ainda te levou a pensar que, se ele se comportasse de outra forma, correria menos risco.

É verdade que pessoas como os nossos filhos estão mais expostas à violência. Por isso, muitas vezes desejamos que eles se encaixem em padrões que consideramos mais seguros ou discretos.

Quem nunca pensou que a forma como uma pessoa se veste ou se comporta acaba provocando reações preconceituosas? Como se fosse intenção dela chamar atenção ou causar algum tipo de incômodo.

Sem perceber, a gente passa a desejar que nossos filhos evitem certos jeitos de se expressar: de andar, de sentar, de existir. Como se, ao se ajustarem, estivessem mais seguros.

Mas esse pensamento, mesmo nascendo do cuidado, desloca o lugar da responsabilidade. Ele coloca o peso sobre quem deveria ser acolhido. E não sobre quem escolhe ferir.

Isso vem de Deus… ou de uma cultura que nos ensinou a esconder o que é diferente?

Se a orientação sexual ou a identidade de gênero fosse uma opção, é difícil acreditar que seu filho escolheria o caminho mais sofrido. Reflita: o que ele está realmente podendo escolher é se vai viver escondido ou viver com verdade.

O que saiu do meu controle?

Por que nossa sociedade violenta o que é diferente? Por que algumas existências valem mais que as outras? O respeito à dignidade de todas as pessoas deveria vir em primeiro lugar!

Não seria justo pedir a ela, depois de tanta angústia e dor, que não vivesse plenamente quem ela é. A segurança verdadeira vem do amor e do acolhimento, não do que escondemos.

Sua filha não tem culpa do mal que as outras pessoas desejam fazer a ela. Imagine tudo o que ela precisou esconder até aqui. Não foi só você que sentiu medo.

A forma como fomos educados nos leva a pensar que tudo pode ser controlado. Além das roupas, dos gestos, dos interesses, até o afeto acaba sendo controlado.

Começamos a procurar culpados. Os amigos. Os lugares. As influências. Como se algo externo tivesse causado tudo isso.

Quando o cuidado vira controle

Entender tudo isso não vai fazer com que, da noite pro dia, que você deixe de pensar que seu filho — pro próprio bem dele — precise deixar de se expor na rua.

Você pode até tentar alguns combinados e limites. Porém tome cuidado para que, ao invés de proteger, não acabe gerando ainda mais dor.

Ninguém é feliz tentando reprimir quem é. As pessoas que tentam acabam infelizes e amarguradas. E são essas pessoas que acabam colocando fardos sobre os ombros de quem vive de acordo com sua própria verdade.

Por outro lado, pessoas em paz com quem são não precisam diminuir ninguém. Elas querem ver os outros felizes e não se contentam com a dor alheia. Na verdade, elas buscam a dignidade e alegria de quem está infeliz.

O amor como o único caminho de Jesus

Deus nos deu algo muito sério: o livre arbítrio. E isso inclui como escolhemos amar nossos filhos.

Se a segurança do seu filho te preocupa, experimente deixar o amor falar mais alto. Superar o seu medo e permitir que seu filho viva plenamente é o primeiro passo para construirmos uma comunidade mais segura pra quem amamos.

Jesus nos ensinou a não ocupar o lugar de juízes. Esse é o lugar de Deus. O convite de Jesus é simples: ame como eu te amei.

Palavra de fé

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.”

Gálatas 5:1

O amor de Deus não foi dado para apertar a vida de ninguém até ela caber no medo dos outros. Em Jesus, a liberdade não é abandono: é dignidade, verdade e caminho aberto para viver sem esconder quem se é.

Amar sua filha, aqui, é escolher não prender por medo.