Continue sua jornada
Passo 02 Quem eu sou agora diante de tudo isso? Próximo passoSerá que errei na criação do meu filho?
Resumo
Você sente que errou com seu filho? E se essa culpa não contar toda a história — e houver mais amor aí do que você consegue ver agora?
"Achei que se eu proibisse ele de brincar de boneca com as irmãs, meu filho não seria gay."
Nem tudo estava nas suas mãos
Até pouco tempo, seu filho era uma base segura na sua vida. Uma das suas maiores razões de viver. Sua família, na maior parte das vezes, trazia orgulho e satisfação.
Mas agora, com essa notícia, você sente o mundo vacilar; tudo começa a girar em torno do que os outros vão dizer — não só sobre ele, mas também sobre você.
Pra compreender por que a vergonha está ocupando um espaço tão grande em seu coração, talvez seja hora de questionar a frase que não sai da sua cabeça: “Eu falhei”.
Sua preocupação é natural. Porém, vale olhar com calma para a sua responsabilidade real. A gente sempre pensa que foi falha nossa, por isso é preciso vigiar —esse tipo de pensamento pode, aos poucos, ir te adoecendo.

Caminhos que não dependem só de nós
Será que essa é mesmo a verdade que Deus está te mostrando? Olhe para sua própria história: seus pais não foram responsáveis por tudo o que você se tornou, nem pelas escolhas afetivas que fez.
Eles também não decidiram o que você sentiria, nem por quem se apaixonou, ou namorou. Seus pais decidiram que você seria heterossexual? Essa pergunta pode abrir espaço para suavizar o peso da culpa e da vergonha que você sente agora.
Palavra de fé
"Herança do Senhor são os filhos"
Quando a vergonha faz você olhar para seu filho como se ele fosse a prova de um fracasso, essa Palavra ajuda a reorganizar o coração.
Filho não é troféu de acerto, nem castigo por erro. Filho é herança, é dom, é vida confiada por Deus aos nossos cuidados — nunca à nossa posse.

Será que passei o que meu filho precisava?
Se você está resumindo o seu papel apenas a ter controle e moldar os comportamentos da sua filha, se esquecendo de tantas outras preciosidades que transmitiu, vale lembrar de algo importante: há sementes que continuam brotando.
Olhe com respeito pra todo o legado que você ofereceu: caráter, bondade, amor ao próximo. Esses aspectos formam quem sua filha é, e continuam lá, como sementes, mesmo que os caminhos e a sexualidade sejam diferentes daqueles que você imaginou.
É necessário que seu amor enxergue sua filha com profundidade, para além da sua sexualidade, já que esta é uma questão difícil para você.
Amar sua filha é também aprender a deixar que ela seja quem é. O amor que você oferece é valioso e pode fazer uma diferença profunda na vida dela, não porque esse amor aceita tudo sem questionar, mas porque permanece presente, mesmo nos momentos de maior desafio e de dúvidas.
O amor entre vocês pode construir uma ponte que permite que caminhem juntas, ainda que todas as perguntas não tenham sido respondidas.

Seu filho não é um erro
Será que a sexualidade de cada um depende da educação que a pessoa recebeu? Estudos já mostram que a sexualidade faz parte de quem a pessoa é porque está dentro dela, não é algo que vem de fora.
Respire fundo. Aos poucos, talvez você consiga acreditar nisso: você não falhou. Até porque, neste momento, você está tentando conciliar o que acredita, o que esperava e a realidade que agora está à sua frente. E pra fazer isso é preciso muito amor e coragem.
Vivemos em uma sociedade que ainda tem dificuldades para lidar com as diferenças da pluralidade da criação de Deus. Se vivêssemos num local totalmente isolado da sociedade, suas preocupações seriam as mesmas?
Nós somos seres humanos únicos. Não somos estátuas produzidas da mesma forma. Talvez seja difícil aceitar, mas ninguém tem o poder de moldar completamente outra pessoa.
Seu papel como mãe ou pai não se reduz a proteger ou corrigir. É missão ampla e sutil.
Nem mesmo gêmeos com o mesmo DNA são iguais; reações, emoções e vontades se diferenciam. Não se envergonhe. Deus não falhou com seu filho — e você também não.
Nos conte o que você achou deste conteúdo